CALCÁRIO: NÃO BASTA APLICAR, É PRECISO ENTENDER SUA IMPORTÂNCIA

CALCÁRIO: NÃO BASTA APLICAR, É PRECISO ENTENDER SUA IMPORTÂNCIA

Registra a história que a calagem é uma prática agrícola utilizada há mais de três mil anos pelos romanos, que aprenderam esta prática junto aos gregos.

Ainda hoje esta é uma das práticas mais importantes da agricultura e o calcário é um insumo vital para grandes rendimentos na soja e muitos agricultores possuem dúvidas, como: se o calcário deve ser aplicado na superfície do solo, espaço de tempo entre uma calagem e outra, quantidade de calcário a ser usado, calcário incorporado ao solo, qualidade dos calcários, resultados esperados da calagem, profundidade de incorporação, dentre outros.

A questão básica sobre estes comentários reside na importância da análise de solos. Ou seja, nenhuma calagem pode ser aplicada de forma correta, em quantidade, qualidade, época e forma, sem o resultado de análises de solos.

Com o advento da amostragem de solos com precisão, pode-se definir, também com precisão, a prática da calagem, de forma a atender todos os comentários citados pelos agricultores.

A calagem tem a função básica de anular efeitos tóxicos do alumínio, promover no solo teores adequados de cálcio e magnésio, reduzir efeitos tóxicos do manganês e o mais importante, adequar o pH da solução do solo, para que os nutrientes macro e micro se tornem assimiláveis pelas raízes de diversas culturas. Bem como ativar os processos biológicos nos solos através da ação dos micro-organismos, importantes para a disponibilidade dos nutrientes e também favorecer a decomposição da matéria orgânica.

O pH representa apenas uma pequena quantidade do total de acidez do solo e sua correção necessita de poucos quilogramas de calcário. Porém, a despeito da pequena quantidade de hidrogênio (H) na solução do solo, o pH tem um significado prático , pois afeta vários processos relacionados com a química da fertilidade do solo.

Nutrientes como o fósforo tem sua disponibilidade no solo muito afetada pelo pH, valores médios entre 6,5 a 7,0 (medido em água) ou 5,9 a 6,4 (medido em cloreto de cálcio) são considerados valores de pH em que o fósforo tem sua maior disponibilidade, assim como para o potássio. Micronutrientes como ferro, cobre, manganês e zinco tende a diminuir sua disponibilidade na medida em que o pH aumenta.

As quantidades de calcário, assim como a forma de aplicação, a lanço ou incorporado ao solo e também quanto a origem, calcíticos ou dolomíticos, são definidos através das indicações, fórmulas ou equações, para cada tipo de solo de uma determinada região.

Um fator muito importante a se considerar sobre a calagem é o tempo de reação do calcário nos solos, que é dependente do poder de neutralização (PN) e do poder relativo de neutralização total (PRNT), que devem ter no mínimo 67% e 45%. Informações que devem ser apresentadas quando da aquisição do calcário.

Na melhor das situações, um bom calcário tem seus efeitos sobre a solução dos solos três meses depois da aplicação, tempo em que reagiu apenas cerca de 30% do total aplicado e em que nesse período tenha o solo água suficiente para as reações esperadas. Do total aplicado, efeitos totais serão observados cerca de um ano e meio após a aplicação. Portanto, a calagem só deve ser realizada mediante a interpretação de análises dos solos.

Vamos relembrar alguns itens importantes sobre a calagem:

PRNT: a eficiência dos corretivos é determinada pelo Poder Relativo de Neutralização Total, que reflete a intensidade de reação do corretivo no período de três meses.

Época de aplicação: a calagem pode ser feita em qualquer época do ano, contudo é importante que a aplicação do calcário seja realizada com maior antecedência possível, mínimo de três meses ao plantio.

Áreas sob sistema de plantio direto: antes de iniciar a utilização desse sistema, é necessário fazer uma calagem bem feita, em geral para elevar a saturação de bases a 70% ou 60%%, ou na quantidade determinada pelo método SMP, ou ainda em função das quantidades de alumínio, e saturação de cálcio e magnésio, sempre em conformidade com as características físicas e químicas dos solos. A) para solos argilosos, 1/3 da necessidade calculada; B) para solos de textura media ou arenosa 1/2 da necessidade calculada.

Periodicidade de calagem: a frequência da calagem deve obedecer á critérios técnicos, caso contrário, por falta ou excesso de calagem, podemos ter sérios problemas de toxidez ou falta de macro e também de micronutrientes.

Artigo de Áureo Lautmann, consultor técnico do Soja Brasil – Via ProjetosSojaBrasil.com.br

Thiago Amadigi
thiago@bstorytelling.com.br
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