E SE, DA NOITE PARA O DIA, O BRASIL PARASSE DE PRODUZIR ALIMENTOS?

E SE, DA NOITE PARA O DIA, O BRASIL PARASSE DE PRODUZIR ALIMENTOS?

EM MEIO A DISCUSSÕES SOBRE O PAPEL DO AGRONEGÓCIO, ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE, SEM ELE, A SEGURANÇA ALIMENTAR DO PLANETA ESTARIA AMEAÇADA. A NOSSA ECONOMIA, ENTÃO…

Poderia ser uma política, um desastre ambiental… um sinal do fim dos tempos, talvez. Mas o certo é que todas essas causas levariam a consequências desastrosas. Se, de uma hora para outra, o Brasil simplesmente parasse de produzir comida, o mundo inteiro sentiria os efeitos.

IMPACTO ECONÔMICO

A economia seria a primeira a sofrer com o fim do agronegócio. No acumulado de 2015, dos 10 itens exportados que mais trouxeram dinheiro para o país, oito vieram da agropecuária. O setor representou 24% do PIB nacional. Logo de cara, seria quase R$ 1,5 trilhão a menos em nossa conta.

web04-10-ilustra-impacto-economicor-1246-k0je-1024x768agro-web

E SE PREPARE PARA A BOLA DE NEVE

Com menos dólares entrando em terras tupiniquins, o real seria extremamente desvalorizado, a ponto de a moeda americana bater na casa dos R$ 7. Assim, o Brasil ficaria sem reservas em dólar para enfrentar futuras crises. E como não produziríamos mais, teríamos que importar alimentos para abastecer o mercado interno. Detalhe: com o dólar nesta cotação.

Se você acha que a inflação hoje está alta – entre 7% e 8%, de acordo com o Banco Central –, sem o agronegócio ela poderia chegar fácil, fácil a 40%. “E afetaria os mais necessitados por causa do aumento no preço dos alimentos. A cesta básica ficaria insustentável”, afirma o economista da Valuup Consultoria e professor da Universidade Positivo, Lucas Dezordi.

web04-10-ilustra-desemprego-1247-k0je-1024x768agro-web

DESEMPREGO

Lembra da bola de neve? Então… Atualmente a taxa de desemprego no Brasil está em 11,6%, segundo o IBGE. Nada que não pudesse ser pior. “Hoje, o agronegócio emprega até 30% da mão de obra do país. São milhões de pessoas”, diz o analista de mercado Flávio França Junior. Sem matéria-prima, haveria o fechamento em massa de indústrias ligadas ao campo. “Elas não teriam como sobreviver dependendo de importações”, ressalta.

web04-10-ilustra-risco-ambiental-1248-k0je-1024x768agro-web

RISCO AMBIENTAL

Etanol vem da cana de açúcar; biodiesel, basicamente da soja. Neste cenário, esqueça a principal matriz energética sustentável do Brasil. “Aumentaríamos a dependência por combustíveis minerais, como xisto, e derivados do petróleo, que são mais poluentes. Ambientalmente, também seria um tiro no pé”, diz França Junior.

web04-10-ilustra-risco-alimentar-1249-k0je-1024x768agro-web

RISCO ALIMENTAR

Segundo previsão das Nações Unidas, o Brasil será o maior exportador de alimentos do mundo já na próxima década. A questão é que, mesmo que a agricultura familiar continuasse existindo, ela provavelmente não daria conta de toda a demanda brasileira. Imagine a internacional. “Na agricultura familiar, você produz muito, mas é para sobrevivência, quase não chega ao mercado. Sem o Brasil, o que resta é um buraco na oferta mundial. A inflação aumentaria no mundo inteiro. Ninguém conseguiria cobrir”, afirma França Junior.

web04-10-ilustra-possiveis-saidas-1250-k0je-1024x768agro-web

POSSÍVEIS SAÍDAS

Ok, nós avisamos que o cenário seria desastroso… mas haveria a possibilidade de olhar para outros setores. Os dois especialistas citam a Coreia do Sul como exemplo. Investindo em educação e tecnologia, o país asiático conseguiu excelentes indicadores sociais. O problema é que isso levaria gerações e, até lá, o colapso econômico e social poderia ter tomado conta do Brasil. “Talvez, em longuíssimo prazo, pudéssemos sobreviver”.

Ufa… sorte que é só uma reflexão, né? Porém, para Lucas Dezordi, vale o exercício. O agronegócio segue firme como pilar da economia brasileira, mas ainda assim é preciso buscar novas bases. O ideal, de acordo com o economista, seria o paradoxo: conciliar a força do agro à situação hipotética – e assustadora – do seu fim, ou seja, mesmo com o campo rentável, investir pesado na indústria de tecnologia. “O problema é que no Brasil os juros para investimentos de médio prazo ainda são muito altos. Pra descer a rodovia da inovação, o pedágio é muito caro”, define Dezordi.

Via Gazeta do Povo

Thiago Amadigi
thiago@bstorytelling.com.br
No Comments

Post A Comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.